Rubens Barbosa: “o Brasil precisa encontrar seu lugar no mundo, senão ficaremos na periferia”


Rio de Janeiro – “Já houve mudanças, mas ainda há muito a ser feito. O Brasil precisa encontrar seu lugar no mundo, e decisões não podem ser adiadas, precisa se posicionar sobre seus interesses no mundo, senão ficaremos na periferia, apesar de estarmos entre as 10 maiores economias do mundo”. A afirmação é do embaixador Rubens Barbosa, presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp, na palestra “O Brasil em um mundo em transformação”, promovida pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), na última quarta-feira (15).


Rubens Barbosa, na ocasião, fez uma análise do atual momento político econômico e comercial mundial para contextualizar os desafios que o Brasil enfrenta a partir de mudanças na ordem mundial. “Nas últimas décadas, as mudanças ocorridas com a globalização, com a revolução tecnológica e nas comunicações e com o fim de um mundo bipolar fizeram surgir novos polos de poder, gerando incertezas e instabilidades, que poderão se agravar com a chegada de Donald Trump ao governo dos EUA”, afirmou.


Segundo Rubens Barbosa, essa nova ordem em formação está adaptando conceitos às novas ameaças e aos novos desafios, como o aumento da desigualdade e do terrorismo, pelas questões de imigração e dos refugiados e temas como o Brexit, os problemas financeiros da Grécia e a desregulamentação financeira proposta por Trump. “A soberania não é mais um conceito absoluto, as organizações internacionais estão em crise e deverão ser reformuladas. Hoje todos os países passarão a ter participação mais intensa nos problemas que afetam o sistema internacional”, frisou.


O Brasil enfrenta uma tríplice crise, econômica, política e ética, mas, segundo Barbosa, com relação à agenda de política externa, já se pode verificar uma mudança nesses nove meses do governo Temer: “acabou a ideologia como fator de política externa e comércio exterior; as contas do Itamaraty foram saneadas; e a Apex foi transferida para o Itamaraty. Quanto à Camex, que acabou por ficar subordinada à Casa Civil, Barbosa advoga que melhor teria sido sua subordinação à Presidência da República”.


Durante o encontro, que reuniu 52 empresários no auditório da Confederação Nacional do Comércio, Barbosa enfatizou que o Brasil ainda está preso a conceitos e percepções superados. “Não houve até aqui renovação do pensamento estratégico sobre como inserir o país na nova ordem internacional em mutação. Pouco se discute sobre isso”, destacou.


Rubens Barbosa aponta que, para que o Brasil possa se inserir no novo cenário internacional, é preciso que se observem, em especial, questões como: a integração do país nos fluxos dinâmicos da economia global e de comércio exterior, discutindo o grau de abertura da economia e sua competitividade; assumir a efetiva liderança na América do Sul, segundo interesses brasileiros, tendo presente que liderança não é dominação, nem hegemonia, o que significa discutir o papel do Mercosul; ampliar a voz do Brasil nos organismos internacionais de comércio, fortalecendo a coordenação interna pelo Itamaraty; por fim ao isolamento do Brasil nos entendimentos comerciais com a ampliação das negociações bilaterais e com acordos com megablocos, como a União Europeia, a Ásia e examinando a conveniência de aderir à Parceria Transpacífica; e aproveitar as facilidades financeiras oferecidas pelo Brics para projetos de infraestrutura e ampliar a cooperação econômica entre o Brasil e os outros membros do grupo.


Para Rubens Barbosa o novo mundo oferece grandes desafios, mas também grandes oportunidades, “por isso é importante que se iniciem discussões sobre as questões que podem contribuir para que haja mudanças, e que estas se ampliem após as eleições de 2018”, concluiu.


Ainda durante o encontro, o presidente da AEB, José Augusto de Castro, fez um balanço da situação do comércio exterior brasileiro e apresentou perspectivas para 2017, manifestando preocupação quanto aos efeitos negativos, sobre as exportações de manufaturados, da presente valorização do real, a qual adiciona incertezas e inseguranças, em prejuízo da competitividade.


Outro ponto abordado por Castro foi o de que esta situação cambial reforça, ainda mais, a necessidade de reformas que reduzam custos e de aprovação da proposta feita pela AEB, em conjunto com outras entidades, de que a restituição de impostos aos exportadores, de que trata o Reintegra, seja feita pelo percentual de 5% previsto pela legislação.




(*) Com informações da AEB

#ComércioExterior #Economia

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