Dólar passa a cair e chega a bater R$ 3,05



Moeda recuou 0,65% na véspera, após BC dos EUA não reforçar apostas de alta de juros já em março.


O dólar opera em queda, chegando a voltar ao nível de R$ 3,05 nesta quinta-feira (23), animado pela sinalização do banco central norte-americano de que não deve elevar juros tão cedo, em meio ao ambiente de taxas mais baixas no Brasil que alimentavam avaliações mais positivas sobre a economia e com investidores indo às compras para aproveitar a baixa cotação, segundo a Reuters.


Às 15h30, a moeda norte-americana recuava 0,44%, a R$ 3,057 na venda, depois de cair 0,65% na véspera, a R$ 3,0705. Veja a cotação.


"Além de o mercado achar que o Fed não deve subir o juro agora em março, o BC brasileiro cortou a Selic, o que ajuda a impulsionar a economia e deixa investidores satisfeitos", comentou o operador da Advanced Corretora, Alessandro Faganello, à Reuters.


Na véspera, a ata do último encontro do Fed mostrou que muitos membros do colegiado disseram ser apropriado aumentar os juros "em breve", caso os dados de emprego e inflação estejam alinhados com as expectativas. O Fed se reúne novamente para tratar de política monetária nos dias 14 e 15 de março.


Entre os membros com direito a voto, no entanto, havia muito menos urgência de aumentar as taxas, com muitos vendo apenas "risco modesto" de que a inflação aumentaria significativamente e que o Fed "provavelmente teria tempo suficiente" para responder se surgissem pressões sobre os preços.


Dessa forma, os investidores ganharam tempo para deixar seus recursos aplicados em outras praças, como a brasileira. Juros maiores pelo Fed têm potencial para atrair recursos à maior economia do mundo.


No exterior, o dólar caía ante uma cesta de moedas e ante divisas de países emergentes, como os pesos chileno e mexicano.


Cenário local

O dólar também recuava no Brasil com o cenário um pouco mais positivo para a economia brasileira, após o Banco Central reduzir a taxa básica de juros na noite passada em 0,75 ponto percentual, a 12,25%, e deixar a porta aberta para acelerar o passo em breve.


Além disso, mesmo com os cortes, a Selic ainda é a maior taxa do mundo, segundo a corretora Infinity, o que mantém a atratividade do mercado brasileiro aos investidores.


O BC vendeu o lote integral de 6 mil swaps tradicionais --equivalentes à venda futura de dólares-- nesta sessão, rolando apenas parte (equivalente a US$ 2,4 bilhões) dos US$ 6,954 bilhões em swaps que vencem em março. A autoridade não costuma fazer leilões no último pregão do mês que, por causa do Carnaval, acontece nesta sexta-feira.

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