Dólar vira e passa operar em alta após anúncio da meta fiscal


No acumulado da primeira semana de abril, o dólar tem valorização de 0,46%. No ano, contudo, a moeda recua


O dólar virou e passou a subir nesta sexta-feira (7), durante os anúncios da equipe econômica sobre a meta fiscal para o próximo ano. O governo o admitiu que o rombo nas contas públicas em 2018 será maior que os R$ 79 bilhões previstos anteriormente e deve agora chegar a R$ 129 bilhões.


Às 16h, a moeda norte-americana subia 0,26%, cotada a R$ 3,1539, depois de tocar a mínima de R$ 3,11737.


Mais cedo, o dólar recuava depois que o relatório sobre o mercado de trabalho norte-americano revelou menor criação de vagas do que o esperado em março, o que não endossa a necessidade de mais altas de juros além das duas já previstas e precificadas pelo mercado para este ano, de acordo com a Reuters.



Cenário externo

"O relatório do mercado de trabalho tirou força dos falcões que queriam três altas de juros neste ano, mas o mercado não está completamente entusiasmado por causa da cena geopolítica", disse um gestor de uma corretora nacional à Reuters.


Os Estados Unidos criaram 98 mil vagas de trabalho fora do setor agrícola em março, bem menos do que os 180 mil postos projetados em pesquisa da Reuters. Trata-se do menor número de vagas em 10 meses. Mas a queda na taxa de desemprego para a mínima de quase 10 anos de 4,5%, ante 4,7%, indica que o mercado de trabalho continua a apertar, segundo a agência.


Após a divulgação do dado, os juros futuros norte-americanos passaram a indicar menores chances de uma alta de juros em junho --mas ainda majoritárias--, como também em setembro.


No exterior, o mercado também trabalhava atento ao noticiário geopolítico, depois que os Estados Unidos atacaram uma base aérea na Síria de onde autoridades norte-americanas afirmam que foi lançado um ataque com armas químicas nesta semana.


O ataque pode levar a um confronto com a Rússia, que já se posicionou contra, embora o presidente Donald Trump tenha recebido apoio de diversos dirigentes mundiais.


No exterior, o dólar subia ante uma cesta de moedas e ante divisas de países emergentes, como os pesos chileno e a lira turca.




Cenário local

A cautela com a reforma da Previdência no Brasil também seguia como pano de fundo dos negócios nesta sessão, com os investidores mais calmos após o nervosismo da véspera que levou a um movimento forte de operações para limitar perdas que içou o dólar ante o real para perto de R$ 3,15.


"O mercado vai remoer a reforma até que o parecer do relator seja apresentado, depois da Páscoa. Sabe que o governo terá que fazer concessões, mas ainda está acreditando que a reforma passará, o que aliviava um pouco a pressão altista nos negócios hoje", explicou à Reuters o diretor da consultoria de valores imobiliários Wagner Investimentos, José Faria Júnior.


O relator Arthur Maia (PPS-BA) apresentará seu parecer no próximo dia 18 de abril.


O Banco Central brasileiro não anunciou intervenção no mercado de câmbio para esta sessão, por enquanto. Em maio, vencem US$ 6,389 bilhões em swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares.


Na quinta-feira (6), a moeda norte-americana fechou em alta de 0,98%, vendida a R$ 3,1457. Foi o segundo dia seguido de alta, com investidores adotando cautela diante dos sinais de que o governo está com dificuldade para aprovar a reforma da Previdência e do cenário externo.


No acumulado da primeira semana de abril, o dólar tem valorização de 0,46%. No ano, contudo, a moeda recua 3,2%.

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