Dólar fecha em alta e vai a R$ 3,18, com reforma da Previdência em foco


Moeda avançou 0,77%, vendida a R$ 3,182, maior cotação em quase 2 meses.


O dólar fechou e alta ante o real nesta quinta-feira (4) pelo segundo pregão consecutivo, com os investidores cautelosos sobre os próximos passos da reforma da Previdência, um dia após a comissão especial da Câmara ter aprovado o texto-base, e acompanhando a valorização da moeda no exterior.


A moeda norte-americana avançou 0,77%, vendida a R$ 3,1827, no maior nível de fechamento desde os R$ 3,1947 registrado em 9 de março, segundo a agência Reuters. Na máxima da sessão, marcou R$ 3,1961.


Cenário local

"O texto passou, mas o governo teve que negociar muito para chegar onde chegou, fez muitas concessões. Há preocupação agora com o que vai ter que ceder para conseguir aprovar em plenário", comentou a diretora de câmbio da AGK Corretora, Miriam Tavares.


Na noite passada e após flexibilizações e horas de debate, a comissão especial da reforma da Previdência aprovou o texto-base da proposta, considerada essencial para colocar a economia nos eixos, mas o placar não indicou vitória com folga mais à frente no plenário da Câmara dos Deputados. A avaliação política é de que o governo do presidente Michel Temer ainda não tem maioria para garantir vitória na Casa.


A comissão especial ainda precisa votar os destaques ao texto principal, o que pode abrir mais concessões ainda ao texto original. O Palácio do Planalto decidiu esperar a votação da reforma trabalhista pelo Senado para só então tentar aprovar a Previdência, disseram à Reuters fontes palacianas na véspera.


Em evento em São Paulo nesta quinta-feira, o Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, defendeu que o projeto não seja "fundamentalmente" alterado daqui para a frente. Segundo ele, as alterações que já ocorreram estão dentro de nível previsto.


Cenário externo

A valorização do dólar ante o real também foi influenciada pelo mercado externo, em dia de forte recuo dos preços das commodities e após o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, ter deixado a porta aberta para aumento dos juros já em junho. O dólar subia ante divisas de países emergentes, como os pesos chileno e mexicano e o rand sul-africano.


"(O Fed) considerou transitória a fraqueza do crescimento dos EUA do primeiro trimestre e elogiou o estreitamento do mercado de trabalho. Como resultado, o mercado de títulos aposta num aumento dos juros em junho", avaliou o banco suíço Julius Baer em comentário assinado pelo chefe do departamento de pesquisa de renda fixa, Markus Allenspach.


Ante uma cesta de moedas, bastante exposta ao euro, entretanto, o dólar caía 0,5%.


O euro subia ante o dólar depois que o candidato de centro na eleição presidencial francesa Emmanuel Macron foi considerado vitorioso no debate com Marine Le Pen antes da disputa em segundo turno neste fim de semana. À tarde, o euro atingiu a máxima de quase seis meses contra o dólar depois que a Câmara dos EUA aprovou o fim do Obamacare.


O Banco Central brasileiro não anunciou qualquer intervenção no mercado de câmbio para esta sessão. Em junho, vencem US$ 4,435 bilhões em swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares.

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