Dólar fecha em alta e vai a R$ 3,27 com temor sobre cena política


Moeda dos EUA avançou 0,59%, a R$ 3,2763 na venda; BC voltou a intervir no câmbio


O dólar fechou em alta nesta segunda-feira (22), após chegar a passar de R$ 3,30 durante o pregão, com a crise política continuando a ditar o tom do mercado de câmbio e com o Banco Central mais uma vez oferecendo liquidez ao sistema com oferta de contratos de swap cambial, equivalentes à venda futura de dólares.


A moeda norte-americana subiu 0,59%, cotada a R$ 3,2763 na venda, depois de fechar a semana passada com alta acumulada de 4,26%. Veja a cotação


Na máxima do dia, o dólar marcou R$ 3,3197, segundo a agência Reuter. O dólar futuro tinha alta de cerca de 0,65% no final da tarde.




Incertezas locais

Internamente, o mercado aguarda decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o pedido de Temer para suspender o inquérito contra ele. A presidente do Supremo, Cármen Lúcia, decidiu nesta segunda-feira que o julgamento só irá acontecer após conclusão da perícia no áudio da conversa entre Temer e o dono da JBS, Joesley Batista.


A crise política gerada pelas delações dos empresários Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, ameaça paralisar os trabalhos previstos para esta semana no Congresso Nacional, onde a oposição passou a liderar um movimento a favor do impeachment de Temer.


No fim de semana, o cenário político continuou bastante sensível. O PSB decidiu apoiar a renúncia de Temer e o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) decidiu que apresentará pedido de impeachment contra o presidente, na Câmara dos Deputados, por crime de responsabilidade.


De olho nas reformas

Os investidores seguem monitorando também o rumo das reformas econômicas no Congresso, especialmente a da Previdência. A avaliação é que sem aprovação das reformas a retomada da economia se tornará ainda mais frágil e lenta.


"A volatilidade reflete o cenário de incertezas, a falta de um contexto que indique o que vai acontecer em termos de votação. Isso é mais importante que a manutenção ou não do presidente", disse Jason Vieira, economista chefe da Infinity Asset. Segundo ele, o mercado "vai andar mais ou menos no mesmo rumo" até que o Congresso indique o rumo da votação das reformas.


"O cenário doméstico é de completa incerteza e analistas avaliam que não há chance de a reforma da Previdência andar por enquanto e que a volatilidade nos mercados locais deve continuar", resumiu a Advanced Corretora em relatório.


A ideia do governo é manter o cronograma de votações importantes no Congresso para mostrar que ainda respira e tem força, destaca a Reuters.


Nesta segunda, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, admitiu que a crise política pode atrasar a aprovação da reforma da Previdência, noticiou a colunista do G1 Thais Herédia. O atraso, segundo ele, seria de algumas semanas.


Intervenção do BC

O Banco Central deu continuidade à sua intervenção diante do nervosismo do mercado e vendeu todos os 40 mil novos swaps cambiais tradicionais - equivalentes à venda futura de dólares -, informou a Reuters.


O BC também vendeu todos os 8 mil contratos para a rolagem dos swaps que vencem em junho, que totalizam US$ 4,435 bilhões. Faltam ainda rolar US$ 2,435 bilhões desse total.


O presidente da autoridade monetária, Ilan Goldfajn, disse que continuará monitorando o impacto das notícias da cena política nos mercados financeiros e atuando para mantê-los em plena funcionalidade.


No boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira, a expectativa dos economistas para o dólar no fim do ano recuou de R$ 3,25 para R$ 3,23. As previsões para inflação baixaram de 3,93% para 3,92%. Já as estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) se mantiveram estáveis.

#Câmbio #Economia

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