Pequenas e médias empresas contribuem para o saldo recorde da balança comercial brasileira


Curitiba – A balança comercial brasileira registrou até o final de novembro o maior superávit comercial no balanço da história. Segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), entre janeiro e novembro de 2017, o superávit comercial chegou a US$ 62 bilhões. Medidas como a habilitação do Radar Expresso para pequenas e médias empresas atuarem no mercado internacional são fatores que contribuem para avanços as melhorias do cenário econômico do país.


O recorde anterior da balança comercial tinha sido registrado em 2016, com um total de US$ 43,3 bilhões nos 11 primeiros meses do ano e US$ 47 bilhões no balanço total do ano. Até novembro deste ano, as exportações brasileiras chegaram a US$ 200,15 bilhões, um crescimento de 18,2% sobre as vendas externas no comparativo com 2016 pela média diária. Já as importações somaram US$ 138,146 bilhões, aumento de 9,6%, também pela média diária, sobre o mesmo período anterior (US$ 126 bilhões).


O empresário Kleber Fontes, diretor do Grupo Casco Comércio Exterior e Logística, destaca que um dos fatores que ajudou a melhorar esse cenário foi a criação do Radar Expresso. Desde o final de 2015, quando foi implantada essa modalidade pela Receita Federal, pequenas e médias empresas puderam ser habilitadas para fazer transações comerciais no mercado internacional, com um limite de até US$ 50 mil para importação por semestre e exportação sem limite.


Em 2016, as exportações das micro e pequenas empresas somaram US$ 2,2 bilhões, um crescimento de 10,6% em comparação a 2015. Desde 2013, o montante de embarques de produtos de micro e pequenas empresas vem crescendo, passando de US$ 1,7 bilhão (2013) para US$ 1,9 bilhão em 2014 e US$ 2 bilhões em 2015.


Fontes explica que o Radar Expresso – também conhecido como Habilitação Expressa – é uma das modalidades para acesso ao Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), sistema de monitoramento de mercadorias que entram ou saem do país.


O empresário Leandro Amauri Mendes, diretor de uma importadora de peças e acessórios, estava tentando a habilitação para o Radar desde 2012, sem sucesso. Apenas com a implantação da nova modalidade isso se tornou possível, já que os outros formatos têm diversas exigências às quais empresas de pequeno e médio portes não conseguem se encaixar.


Já para o empresário Gervásio Martins Fontes Neto, que comercializa equipamentos eletrônicos, essa foi a oportunidade de vender no mercado asiático produtos que não estavam tendo muita procura por aqui. “Para mim foi muito interessante financeiramente. Eu exporto meus equipamentos diretamente para China e outros países da Ásia e meu lucro é bem maior. E como eu recebo o pagamento à vista, consigo ter maior capital de giro para investir no meu próprio negócio”, comenta.


À frente do Grupo Casco, que presta consultoria para empresas que querem obter a habilitação no Radar Expresso, Fontes salienta que nos últimos dois anos, devido à crise econômica mais severa no Brasil, muitos empresários brasileiros encontraram justamente no mercado exterior uma alternativa para manter suas empresas ativas, evitando o corte de produção e de colaboradores.


“Há vários mercados carentes por produtos brasileiros como Paraguai, Argentina, Uruguai e Bolívia. Mas, nesse processo, para exportar, é comum também ter que importar matéria-prima para ter um preço competitivo”, analisa, reiterando a necessidade de a empresa estar adequada à legislação para garantir o trâmite dos produtos.


(*) Com informações do Grupo Casco

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